sexta-feira, 21 de abril de 2017

Blue Whale - I want to play (Baleia Azul - Eu quero jogar)

O assunto do momento é o jogo da Baleia Azul, ou, em inglês, Blue Whale. O "jogo" se originou na Rússia e foi disseminado através de uma rede social pouco conhecida por nós brasileiros, a VKontakte.

Se você chegou nessa página com o objetivo de JOGAR O BLUE WHALE, clique no link abaixo.

QUERO JOGAR O JOGO BLUE WHALE (BALEIA AZUL)

Entre uma taça de vinho e outra, em plena véspera de feriado de Tiradentes, resolvi investigar mais sobre o assunto e confesso que fiquei espantado com o que descobri.

Não foram exatamente as artimanhas por trás do jogo que me surpreenderam, ou a mente doentia de seu idealizador, mas a quantidade de pessoas procurando sobre o assunto.

Tem muita gente por aí falando - "nossa, esse jogo está incentivando as pessoas a se suicidarem!". Na verdade, o que ocorre é que o "jogo" está abrindo caminhos para quem já tem o pensamento de finalizar sua própria vida (de uma forma bem macabra e doentia, na minha opinião).

Resolvi me cadastrar nessa rede hoje e fiz uma pesquisa rápida sobre o assunto... tem muita gente interessada no tema por lá (na VKontakte). Óbvio que, por ter virado um dos assuntos do momento, tem muito curioso fuçando (assim como eu), mas, entre os curiosos, há também muita gente
 pensando realmente na possibilidade de finalizar sua vida de forma prematura. Para chegar nessa conclusão, basta acessar alguns dos perfis que lançam a fatídica frase nas supostas comunidades do jogo: "I want to play".

Quando acessei os perfis, notei imediatamente que existiam muitos curiosos e "trolls", mas, outros usuários nitidamente desejavam aquilo. Me assustei com a quantidade de pessoas que de alguma forma pensavam em abreviar sua passagem pelo mundo dos vivos, pra falar a verdade, estou arrepiado até agora.

Na maioria, os que apresentam reais sinais de suicidas, são jovens que demonstram de forma bastante explícita uma relação difícil com a família ou com o meio onde vivem.

Fiquei então me perguntando quantos daqueles jovens poderiam ser salvos com apenas algumas palavras dos seus pais, parentes ou amigos e quantos, desses mesmos jovens, estariam seriamente afetados pela pela doença da depressão. Eu penso que é impossível saber.

Por isso, caro leitor, se uma pessoa próxima à você estiver apresentando sinais de tristeza e decepção constantes, procure-a para conversar. Seja o parente ou amigo que ela nunca teve, você pode salvar uma vida com uma meia dúzia de palavras de conforto.

E você, que pensa seriamente em participar do jogo... a vida é um desafio muito maior do que essas 50 tarefas do jogo. A morte é o fim da linha, é o precipício, o vazio, o frio, o abandono. A morte não é um prêmio, muito menos o descanso. A morte é o fim da sua existência, da sua consciência. Sua vida é valiosa demais para ser desperdiçada, você, eu e todos nós, temos uma história para escrever aqui. Não pense que sua história é menos importante que a minha ou a do presidente dos Estados Unidos. Sofra e faça sofrer, ria e faça rir, se emocione, chore, se apaixone, ame... viva e morra quando a natureza lhe chamar. Não tenha pressa em partir, a natureza é quem deve determinar o início e o fim de nossa existência. Viver não é um fardo, é um prêmio, por mais que lhe pareça o contrário.

Concluo dizendo que estou feliz porque, aparentemente, a polícia russa parece ter identificado a pessoa que idealizou esse jogo bizarro. Seu nome é Filip Budeikin. Se ele é um sociopata? Não tenho a menor dúvida, deve se divertir com a ideia de sentir o sofrimento alheio até o último suspiro. Se ele quisesse "libertar os que sofrem", estabeleceria 50 tarefas? CINCOENTA???. Ele não é um jogador, é o dono do jogo, afinal, se ele fosse um jogador, já teria concluído o desafio, ou não?

Abraços e fique vivo,

Ivan.