quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Como apresentar suas ideias em público

Para alguns, falar em público é tão natural quanto uma conversa entre amigos, mas algumas pessoas simplesmente não têm a menor condição de se postar à frente de uma platéia.

Quantas vezes você se viu no segundo grupo? Falar em público é inevitável, todos os dias surgem situações em que temos que fazer isso. Por exemplo, se você é estudante terá que apresentar algum trabalho em frente aos colegas; se for acadêmico terá que defender seu trabalho de conclusão frente a uma banca; se estiver trabalhando terá que enfrentar chefes e colegas para expor suas ideias para crescer no emprego. Mas, e essas pessoas que se saem bem em público, o que elas têm que eu não tenho?


A resposta é: CONFIANÇA.

Ah, tá, mas isso eu já sabia!

O que você não sabia é que não há mágica nenhuma nisso, na verdade, você também tem isso e exercita essa capacidade de vez em quando, só que não percebe.

Quantas vezes você já se deparou discutindo acaloradamente com alguém sobre determinado assunto? Muitas vezes, não é mesmo? E você consegue lembrar como era fácil argumentar e responder os questionamentos que lhe eram feitos? E como você defendia suas ideias com propriedade e entusiasmo? Isso é CONFIANÇA. Quando conhecemos o tema discutido nos sentimos poderosos, invencíveis e confiantes. Então se houver uma mágica, ela consiste em ter o domínio do tema antes de encarar a platéia.
"A confiança é um ato de fé, e esta dispensa raciocínio"
Carlos Drummond de Andrade

Tem mais uma coisa: quando dissertamos para o público, temos que ter consciência de que nosso objetivo principal deve ser fazer o máximo de esforço para que a grande maioria consiga absorver e compreender aquilo que estamos falando. Caso contrário, a confiança terá servido para nada, pois não teremos convencido ninguém.

Então o que você precisa, além da confiança, para melhorar sua capacidade de falar em público?

A resposta é: ORGANIZAÇÃO.

Não basta mostrar propriedade quando fala do tema, é preciso convencer. Para isso suas ideias devem ser expressas de forma organizada, conexa, concisa. Eu diria que QUALQUER PESSOA é capaz de enfrentar uma platéia se estiver conhecendo bem o tema e se tiver suas ideias bem organizadas. Não se assuste, a maioria das pessoas têm dificuldades para compreender novos conteúdos e para organizar seus pensamentos. O importante nesse momento é que você tenha disposição para melhorar e aprender, mesmo que para a perfeição este seja apenas um pequeno passo, pelo menos você estará caminhando na direção certa.

Bom, vamos começar a falar de coisas práticas. Vejamos quais os pontos que podemos melhorar com essa simples técnica que vou lhes apresentar:
  • Tenho dificuldade em memorizar e dominar o tema
  • Preciso de um texto para ler
  • As ideias se misturam
  • Eu fico nervoso e não sei o que dizer
  • As pessoas não compreendem e não aproveitam o que eu falo
  • As pessoas não prestam atenção no que eu falo
  • Fico atrapalhado, tremo, gaguejo
Tenho certeza que encontraria outras tantas, mas creio que essas sejam dificuldades bem comuns. Se você conseguir minimizá-las terá feito um grande avanço. E não se preocupe se sua primeira apresentação não foi digna de aclamação, a prática leva à perfeição. Uma coisa eu lhe garanto, se seguir à risca estas dicas, fará melhor do que costuma fazer hoje em dia. Ou isso, ou seu dinheiro de volta.

Certo, então vamos logo ao que interessa! Relacionei uma lista contendo as medidas que compõem a técnica. São simples, mas exigem um pouco de dedicação e isso é o mínimo que terá que fazer.

Técnica
Prepare sua apresentação com organização e objetividade

1. O objeto da sua apresentação
Como falei no início do artigo, todos os dias nos deparamos com situações onde temos que exercitar o discurso, em alguns casos serão nossas ideias e pensamentos, em outros serão conteúdos e ideias de terceiros que teremos que estudar antes para dominar o assunto.

Tenha o conteúdo à sua disposição para ler, estudar e fazer apontamentos, pode ser no computador usando um editor de textos, no papel, ou como achar melhor. O importante é que o texto esteja à sua disposição e que você possa fazer anotações nele.

Se o conteúdo for uma pesquisa que fez para a faculdade, já terá um texto pronto, mas se precisar explanar sobre suas ideias, terá que colocá-las no papel primeiro. Nesse caso recomendo uma ferramenta muito usada na Administração que, de tão dinâmica, acaba se encaixando em várias situações do nosso dia-a-dia para desdobrar problemas de uma forma bem simplificada. Essa ferramenta chama-se 5W2H.

Apesar de citá-la, não é minha intenção aprofundar seu estudo aqui, por isso sugiro que gaste um tempinho pesquisando sobre ela antes. Basicamente podemos definir a ferramenta 5W2H como um conjunto de perguntas que deverão ser respondidas para detalhar um problema de forma organizada. Com as respostas em mãos, você já terá o objeto da palestra.

2. Identificando os tópicos principais
Agora que já tem o texto que servirá como objeto de estudo, terá que localizar os principais pontos da apresentação. Caso tenha dificuldade para identificar os pontos principais do texto, use a ferramenta 5W2H, já que o desdobramento permite ver de forma organizada qualquer assunto.

Marque os tópicos dentro do texto, se for no papel, use destaca texto e, se for em um editor de textos, negrite ou destaque-os de alguma forma. Em um novo espaço coloque o título Tópicos principais e relacione lá estes tópicos, lembrando que eles devem ser breves; o objetivo é apenas dar uma ideia sobre o assunto.

3. Montando o roteiro
Antes de mais nada, identifique e coloque os tópicos em uma seqüência lógica. Lembre-se das aulas de redação, elas serão úteis aqui: introdução, desenvolvimento e conclusão. As ideias precisam ser apresentadas, desenvolvidas e concluídas. Essa sequência é de extrema importância, pois é ela que dará sentido à apresentação. Os tópicos servirão como guia para sua apresentação, por isso, para cada tópico, identifique no texto fragmentos que ajudem a esclarecê-lo e exemplificá-lo. Faça isso para todos os tópicos, escrevendo os fragmentos neste novo espaço que você criou para os tópicos. Cada um terá vários fragmentos que serão usados como base para seu estudo.

4. Primeiro contato com o tema
Tópico por tópico, você fará um estudo dos fragmentos buscando compreender a fundo cada palavra escrita ali. Mas quando eu digo compreender, quer dizer debater com sigo mesmo questionando se você entendeu a ideia que o autor quis transmitir.

Nesse momento faça apontamentos de apoio se isso lhe ajudar a compreender melhor o tema. Se houver palavras que não conhece muito bem o significado, pesquise! Será vital que não fiquem pontos obscuros no conteúdo estudado. Se estiver com dificuldade para compreender algo, procure outras fontes até que absorva a ideia, isso evitará que seja pego desprevenido.

5. Dominar o tema
O próximo passo é reescrever somente os tópicos em uma folha em branco. De posse do novo roteiro, você terá exercitar o seu poder de convencimento para fixar as ideias. Nesse caso você terá duas alternativas, ou procurar alguém que possa lhe ajudar fazendo o papel de “platéia”, ou ir para o espelho e convencer a si mesmo.

Se usar a ajuda de outra pessoa, procure alguém que o deixe à vontade, para que possa fazer isso de forma descontraída. Esse exercício é importante porque lhe permitirá “quebrar o gelo” e ir aos poucos adquirindo a confiança que precisa para dissertar.

Olhe o roteiro, imagine a sequência lógica que você criou, pegue o primeiro tema e comece a explicá-lo para sua “platéia”. Se estiver com dificuldades para lembrar algum ponto, puxe o roteiro original com os fragmentos e dê uma espiadela (coisa rápida), para então voltar ao “palco” para concluir a explicação. Brinque, interprete, isso o ajudará a fixar o material e a ganhar desinibição. Passe por todos os tópicos e repita cada tópico até que sinta segurança para falar. Importante: JAMAIS DECORE!

Agora é a hora de tirarmos as rodinhas da bicicleta. Sem o papel na mão, puxe da memória o roteiro e repita novamente a sequência, dando aquela olhada sempre que a memória falhar.

Faça isso até que se sinta totalmente seguro para sair por aí discutindo o tema com qualquer um. Nesse ponto você deverá sentir uma sensação agradável de poder, é o poder da palavra. Se conseguiu sentir isso, parabéns, você está quase pronto!

Dicas para a apresentação
Para finalizar, vou deixar algumas dicas que poderão ajudar na "Hora H"
  • Evite olhar diretamente nos olhos das pessoas, olhe para a testa delas;
  • Se puder, segure algum objeto em sua mão como um pincel atômico, uma caneta ou algo do gênero. Isso evita que você fique com as mãos balançando. E nem pense em cruzar ou colocar as mãos no bolso;
  • Não tenha medo de usar o corpo para falar, a mensagem será mais completa (mas não exagere). Mova-se, troque de lugar, não fique estático;
  • Se possível use um projetor com os tópicos distribuídos em slides, será sua cola do roteiro e ajudará as pessoas a fixarem o conteúdo;
  • Evite ao máximo ler. Nem os tópicos dos slides, nem textos grandes ou pequenos, as pessoas perdem o interesse e se desconectam de você;
  • Use exemplos quando tratar de algum assunto que possa ser mais complexo e de difícil compreensão. Ilustrações, desenhos e gráficos são sempre bem vindos;
  • Use todo o tempo disponível, mas não exceda o tempo disponível. O treino na frente do espelho serve para cronometrar o tempo também;
  • Antes de iniciar a apresentação, leia novamente o texto completo, as pessoas podem fazer perguntas que exijam que se aprofunde no assunto;
  • Permita que as pessoas lhe interrompam para perguntas a qualquer momento;
  • Calcule um tempo médio que poderá gastar com isso prevendo que o seu tempo total não pode estourar;
  • Ao final, conclua abrindo um espaço para mais perguntas e termine agradecendo a todos.
Esse método é muito simples, criei para meu próprio uso e, apesar de sua simplicidade, tem me sido bem útil até aqui. Espero que lhe seja útil também.

Abraços e sucesso!
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Artigo publicado pela Editora Escala na revista "Informática passo a passo especial", número 04 de 2009, página 28.